Arthur Bispo do Rosário

por Tiago Botelho

Os portões se abrem. Seres com alma perdida andam nus, coletando folhas e pétalas... procuram seus sonhos.
Paranóide Schizophrenic. Meia noite.

Moquifos mal-assombrados. A realidade perdeu a laje que a separava do cosmos. Destroços da consciência. O artista a convida para entrar. Sua aura é azul. Espectros de todas as mulheres se confundem com a aparição da mãe de Deus. Mãe de deuses. “Olha lá Jesus no fundo do quintal!”. Um dia uma voz me sussurrou “é o tempo da reconstrução do mundo”.

Objetos achados se transformam em Arte. Em Testamento. Em Bagavad. Em Corão. Em Torá. Em Rosário.

A manhã chega e seres continuam nus. O desfile continua. A coroação prossegue. A corda se rompe... os pés descalços atravessam o labirinto. A missão pulsa nos povos. Sintonia confusa. Lençóis são desfiados para marcar o trajeto. Euforia.

O crepúsculo desafia a luz outra vez. Cores dilaceradas, despedidas. Delírio Místico Sistematizado. A virgem fugiu. A viúva ouve o lamento dos berimbaus. Acúmulo de lágrimas. Águas... a Arca de Noé irá partir para sempre. Vai partir com seus inúmeros passageiros de pano.

             
             
 
 
                 
     
   
                       
   
 
                 
             
 
                         
           
 
 
             
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