Nelson Leirner, ao apropriar-se  e agir sobre as desmascarou a hipocrisia daquela manifestação apenas aparentemente inocente. Os grafites violentos, sobrepostos às fotos, chamaram a atenção de muitos, porque funcionaram, para as estruturas daquelas imagens, como arma de proteção aos corpos das crianças ali retratadas contra os possíveis olhares gulosos e lascivos que, com certeza, sempre recaem sobre elas. São escudos para aqueles corpos indefesos, grafites agressivos que explicitam por meio da caricatura extremada de órgãos genitais de adultos aquilo que muitos de fato gostariam de estar vendo.


Só a partir dessa intervenção aparentemente anárquica e dessacralizadora (mas, na verdade, repleta de um propósito reinstaurador de um sentido moral nelas perdido) foi que algumas autoridades cariocas sentiram-se frente a algum tipo de ameaça à criança. Essas mesmas autoridades que parecem não perceber que a grande violência contra a criança e o adolescente no Brasil é a vida indigna que a maioria deles vive no país.


Destruir para salvar. O que ele faz é orte.

   
           
Fonte: Nelson Leirner - arte e não Arte, por Tadeu Chiarelli << voltar