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uma insônia e seus borbotões
O amor foi esquecido, grave problema que a humanidade não pensa em assumir. E ai de todos os sonhos e seus pobres sonhadores. Toda matéria dura e fria parece valer muito mais, não enxergam, esses realistas.
O lugar da fantasia agora é nos (não menos esquecidos) livros, o lugar do sonho é no inconsciente (o dequalque arbóreo na psicanálise, ignorância quanto ao infinito), o lugar do amor é na sarjeta, junto aos ratos e canções. Junto aos que apenas não admitem ter de deixar de lado a liberdade de sentir.
E há os que fogem da felicidade inexplicável da experiência do amor. Temem tanto quanto podem, tamanhas relações feitas entre a felicidade e o medo.
Onde foram parar os delírios de um colo quente recheado de carinho, os olhares que provocam risos parecidos com a lua crescente... o pulsar desajeitado de um monte de músculos involuntários... o cheiro de ópio que fica na atmosfera lisérgica do que é ingenuamente apelidado de paixão. Tolos, insistem em não experimentar... por causa de suas pretenciosas expectativas, jamais se permitem a intensidade de que é feita a vida.
Me pergunto: se nos dessem asas, teríamos coragem para enfrentar alturas vertiginosas? Afinal, nos deram o pensamento, os sentimentos e nosso corpo. Não parecem superpoderes? Pena não perceberem...
A vida é um balde de água fria por semana pra fazer nascerem flores belas e saudáveis. É intenso ter o calor do sol, o carinho da chuva, o prazer de ser parte de tudo, de poder interagir e criar... e não seria esse bobo, brega e vergonhoso "amor" o responsável pela existência humana? Não seria por amor a qualquer coisa cada um de nossos gestos? Ideais, valores, opiniões... todas giram em torno de sentimentos, tantos eles...
É... estamos sendo tapeados, e quando algum de nós percebe tão humilhante situação, se manifesta e é automaticamente castrado, taxado “louco”, arremessado aos escombros da sociedade (estoutro engano, outra farsa). Esse um de nós perde as forças para transformar essa mediocridade em vida. Sucumbimos mais uma vez...
Medo de agir, preguiça de começar, uma patologia filosófica: o esvaziamento da capacidade de questionar. Tudo isso é culpa sua, minha e da sua mãe, aquela velha retrógrada, como nós e mais uns. Pois que nos percebemos a lamentar, a nos acharmos no direito da revolta... e é nossa a responsabilidade. Um vazio que nunca ninguém viu, nunca foi decifrado, uma podre desculpa para não romper a casquinha fina que nos separa da verdade. Lagartas devoradoras de toda a vegetação, preguiçosas de encasular-se, e as já encasuladas, acomodadas e gordas, não lembram de assumir a borboleta latente.
Não somos mais que lagartas. Preguiçosas e gulosas, burras como um pacote de fraldas. |
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